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O MAR DE LAMA, OPRESSÃO E DE REPRESSÃO
QUE ERA O REGIME MILITAR DE 1964-1985
          Defensores do regime militar decorrente do golpe de 1º de abril de 1964 estiveram nas manifestações de 15 de março, faziam o pedido de intervenção militar e se diziam combatentes contra a corrupção e a esquerda. Só não deixaram claro a favor de quem. Da pátria e sinceros, duvido!
            O regime militar de 1964-1985, de 21 anos, não é um exemplo de combate aos maus feitos, pois grassava a corrupção durante aquele regime envolvendo militares e civis. Aos mesmo tempo em que aplicava em obras  megalomaníacas, inúteis e/ou sem transparência como Angras I e II, Ferrovia do Aço, Aço Minas, Tucuruí, etc, Somava a isto, arrocho salarial sem precedentes, onde o salário mínimo a cada ano se tornava menor e os trabalhadores trabalhavam sob o tacão de uma verdadeira ditadura nas fábricas, ditadura esta que foi facilitada por, entre outras decisões do regime ditatorial[1], com a de intervenção em todos os sindicatos que defendessem os interesses e anseios dos seus membros. Também, de repressão dirigida aos estudantes, professores e suas entidades que defendessem a universidade democrática, voltada para os interesses nacionais e para os diversos padrões de cultura, como a proposta original da UnB.  A UnB e outras universidades sofreram abomináveis intervenções.
            Tal era o nível de corrupção que somente em uma edição do jornal Movimento foram apontados 2.000 casos de corrupção. Porém, a reação do regime militar não foi de se apurar e nem de responder uma a uma das denúncias, pelo contrário foi calar e reprimir o jornal com recolhimento da edição, inclusive com uso em algumas cidades de força militar do exército. O título daquele jornal era bastante significativo “GEISEL NUM MAR DE LAMA”.
       Na gestão do ditador seguinte, no Governo Figueiredo, a corrupção avançava, até o filho deste Presidente-ditador se beneficiou de empréstimos na Caixa Econômica Federal para construir o Motel Playtime, no DF, com recursos que deveriam ser destinados para a construção de casas populares.
            Os prefeitos das capitais, os governadores, o prefeito/governador do DF e os prefeitos em municípios eleitos pelo regime como de segurança nacional, eram nomeados e não havia eleições para escolha dos titulares. E só consultar os anais do Congresso para se encontrar as acusações e descrições de casos de corrupção, tanto no DF como em capitais estaduais, cujo autores não recebiam a merecida reprimenda.
            Até alguns oficiais militares se beneficiavam dos recursos do exército para realizar trabalhos em seus espaços particulares, posses e propriedades.
            Exemplo, na Fazenda Buraco, em Sobradinho, o proprietário José de Sousa e Silva tentou evitar uma invasão de parte de sua propriedade por um oficial militar, este apontou a uma arma na cabeça do proprietário da gleba disse: “Sou oficial do Exército. Nós mandamos neste país. Se o senhor reagir ou tentar ir à justiça, puxo o gatilho. E nada me acontecerá.”
            Somente após o regime militar, 1989, o Senhor José de Sousa e Silva foi procurado por um emissário do Bispo Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra, comunicando que comprara os direitos possessórios de parcela da Fazenda Buraco e gostaria de conversar com o titular com documentos no Cartório.
            Na época, fui um dos advogados constituídos por José de Sousa e Silva, este acabou negociando com a instituição religiosa, por um preço simbólico o imóvel, pois caso entrasse na Justiça poderia perder ação com arguição de usucapião pelos compradores da posse.
            Mas, nesta propriedade, tinha algo mais absurdo, além das construções para hospedagem, reuniões e piscinas, ruas formadas e ladeadas com grandes pedras, estas carregadas com choro, conforme os vizinhos, por recrutas do exército, estes ainda tiveram que trabalhar nas construções do coronel na propriedade. Trata-se do imóvel onde hoje funciona a sede Renascer da Igreja Sara Nossa Terra, no Lago Oeste.

            Outra irregularidade, com a qual desviava-se vultuosos recursos públicos, era a de políticos e empresários que pegavam crédito rural com juros zero e correção abaixo da inflação sob o pretexto que aplicariam no meio rural desviavam para aplicação na especulação financeira ou em campanha política. Quando acusados, nada. E podiam pegar novos empréstimos. Era uma forma “legal” de premiar os apoiadores do arbítrio.

            Não é à-toa que o regime militar, logo em seu nascedouro, recebeu uma crítica, da Folha de S. Paulo, de 3 de abril de 1964, já dizia que o sobre o regime que se autodenominava de “revolucionário”, que fora instalado centralmente para combater a corrupção e ao comunismo. Ocorria o cumprimento do segundo objetivo, pois quanto ao primeiro, o Governo Revolucionário já chamara para ingressar em seus quadros pessoas afamadas como irresponsáveis no trato do Erário.
           Mas, pessoas que tentavam apurar os atos ditatoriais, de corrupção e as benesses para os protegidos do regime eram perseguidas, com demissão, ou mesmo, como ocorreu com o jornalista Wladimir Herzog, que foi torturado até a morte.
Em cada Ministério, havia uma seção de investigação, do SNI e/ou DOPS para reprimir a mínima manifestação espontânea dos servidores que ali trabalhavam e de cidadãos frequentadores das repartições.
Os brasileiros e brasileiras viam com clareza os atos de corrupção não combatidos pelo regime e crescia a luta contra o desmandos, corrupção e submissão ao estrangeiro, desagregava o regime, apesar da censura, existente até nas redações dos jornais conservadores, como o Estado de S. Paulo, que publicou versos nos locais onde ficariam as matérias censuradas, foram 4 edições de Os Lusíadas, de Camões.
            Foi ficando claro também que o combate pelo regime militar ao comunismo era usado somente como pretexto para se combater, na realidade, patriotas de todas as matizes, democratas e autênticos defensores dos interesses nacionais, da elevação do padrão de vida dos trabalhadores e da democracia.
            É facilmente comprovável, principalmente após a descoberta de documentos secretos constantes na Bibliotecas Lyndon Johnson e John Kennedy, nos EUA, que o golpe não era para combater ao comunismo ou à corrupção, mas sim essencialmente para a submissa defesa dos interesses políticos, econômicos e militares dos EUA, cujos emissários daquele país na prática dirigiram o golpe militar, o que obtiveram numa política de influência na formação dos militares brasileiros.[2]
HUDSON CUNHA, Ex-aluno da UnB, expulso, em 1977, ex-Secretário do Diretório Universitário/UnB.
Atualmente advogado, economista e editor do bloghttp//:bemvisitado.com

[1] Muitas as políticas contrárias à classe trabalhadora, como a adoção do FGTS para facilitar as demissões e reduzir salários, a redução de fiscalização que possibilitava super-exploração dos operários, a exigência de muitas horas extras e a elevação dos riscos nos exercícios profissionais resultando até na elevação drásticas dos acidentes de trabalho, etc.
[2] Lincoln Gordon, embaixador do EUA no Brasil, escolhido no esquema do Departamento de Estado de seu país, menos de um mês antes do golpe, em 04/03/1964, disse Nosso MAP (Programa de Assistência Militar) é fator importante, que influência os militares a serem pró-EUA e pró-Ocidente, e sua importância neste setor está aumentando”. E depois na TV Americana, cerca de 18 anos depois,:“E compramos políticos brasileiros.” E mais, “Eu não praticaria os atos que pratiquei no passado”.  E, o analista político e filólogo norte-americano Noam Chomsky analisando o papel dos EUA em 1964, disse na Universidade de Harvard em 1985:” Nós instalamos o primeiro verdadeiro grande estado de segurança nacional, estado semi-nazista da América Latina, com tortura de alta-tecnologia e assim por diante’.
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